sexta-feira, 8 de junho de 2018

Transporte no Brasil


Mais de 30% da malha ferroviária estão inutilizados, diz estudo da CNI

Superação dos gargalos passa pelo aumento da conectividade do sistema



Por Agência Brasil Brasília







Um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mostra que mais de 30% da extensão de trilhos ferroviários do país estão inutilizados e 23% estão sem condições operacionais.

O estudo, denominado “Transporte ferroviário: colocando a competitividade nos trilhos”, integra uma série de 43 documentos sobre temas estratégicos que a entidade entregará aos candidatos à Presidência da República.

No documento, a sugestão é que o caminho para a superação dos gargalos no setor passa necessariamente pelo aumento da conectividade do sistema, do tamanho da malha e da velocidade média dos comboios.

Problemas

Para os especialistas, a malha ferroviária do país é um sistema com deficiências e dificuldades específicas envolvendo as concessionárias, além da ausência de concorrência no mercado e falhas na interconexão das malhas. Segundo o estudo, as características dos contratos de concessão firmados na década de 1990 geraram esses problemas.

O gerente executivo de Infraestrutura da CNI, Wagner Cardoso, disse que uma forma de buscar a recuperação do setor é autorizar a prorrogação antecipada desses contratos de concessão, de forma que as concessionárias passem, a partir da renovação, a serem obrigadas a reservar uma parcela da capacidade instalada da ferrovia para compartilhamento e a investir valores preestabelecidos na melhoria e ampliação das malhas.

“Não renovar os contratos significa prolongar pelos próximos dez anos o reduzido volume de investimento e, consequentemente, os gargalos e trechos saturados disseminados no sistema ferroviário, congelando a atual capacidade de transporte das ferrovias do país”, afirmou Cardoso.


Segundo o estudo, as características dos contratos de concessão firmados na década de 1990 geraram esses problemas - Beth Santos/Secretaria-Geral da PR



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Edição: Sabrina Craide




terça-feira, 29 de maio de 2018

Combustíveis


Cade autoriza distribuidoras de combustíveis a compartilhar tanques
Medida vale por 15 dias e envolve as três principais empresas do país
Publicado em 29/05/2018 - 17:19
Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil Brasília




O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou, nesta terça-feira (29), que as três maiores empresas distribuidoras de combustíveis do país compartilhem bases e equipamentos logísticos para normalizar o abastecimento nos postos de todo o país. A decisão ocorre em meio a uma paralisação nacional de caminhoneiros, que já dura nove dias, e tem afetado principalmente o setor de combustíveis.

A solicitação foi feita conjuntamente pela Ipiranga Produtos de Petróleo, a Raízen Combustíveis (que representa a bandeira Shell no país) e a Petrobras Distribuidora. Homologado por unanimidade pelos conselheiros do Cade, em reunião extraordinária, o protocolo de atuação das distribuidoras terá validade de 15 dias e poderá ser aderido voluntariamente por outras empresas. Nesse período, fica completamente flexibilizada a cadeia de distribuição de combustíveis entre as empresas e os postos que representam cada uma das bandeiras.

"[A ideia é que] uma distribuidora possa acessar o tanque de outra, o caminhão-tanque de uma distribuidora possa se abastecer no centro de abastecimento de outra. Isso para facilitar a retomada da distribuição de combustíveis o mais rapidamente possível", explicou o presidente do Cade, Alexandre Barreto de Souza. Segundo ele, o objetivo é permitir que os centros de distribuição que estejam mais próximos dos postos de combustível possam ser acionados no menor tempo, independentemente da bandeira à qual estejam vinculados. 

Para o Cade, em condições normais de funcionamento do mercado, esse tipo de prática seria vedada pela legislação de proteção à concorrência. "Porque permite que uma companhia tenha acesso a informações comerciais de outras, preços praticados, volumes vendidos, enfim, pode gerar problemas de ordem concorrencial", afirmou Alexandre Barreto. O protocolo assinado entre as distribuidoras, no entanto, prevê que, apesar do compartilhamento de bases, informações comerciais consideradas "sensíveis" não poderão ser trocadas pelas empresas. 

Mais cedo, o Cade divulgou um estudo com nove propostas para aumentar a concorrência no setor de combustíveis como forma de reduzir os preços ao consumidor final. As sugestões envolvem questões regulatórias, estrutura tributária e outras alterações institucionais de caráter geral. Um grupo de trabalho composto por técnicos do Conselho e da da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também foi criado para discutir questões regulatórias e normativas no setor de combustíveis.
Edição: Denise Griesinger


quinta-feira, 10 de maio de 2018

Carro voador



Grandes drones sobre rodas estão sendo testados como opção mais acessível que helicópteros. Saiba mais detalhes sobre o assunto



 Divulgação Audi Pop Up Next: protótipo seria uma boa opção entre os carros voadores para ajudar a resolver os congestionamentos


No filme “De volta para o futuro 2”, Marty McFly e Doctor Brown saem de 1985 e chegam a 2015 a bordo de um DeLorean DMC-12 voador. Em outro clássico dos anos 80, “Blade Runner”, Los Angeles de 2019 está congestionada de carros voadores, apesar de os personagens usarem “orelhões” para telefonar. E eles continuam voando na continuação lançada no ano passado, “Blade Runner 2049”.

Já estamos em 2018, e o único carro voando neste momento é o Tesla Roadster vermelho alçado ao espaço por um foguete. E ele nem poderia sair do chão sozinho. Apesar de tentativas que já duram 101 anos, carros voadores ainda são coisa de ficção científica. O que falta para eles se tornarem realidade? Em termos tecnológicos, falta pouco. Em termos de legislação, custos e logística, ainda há muito a percorrer.

 Sejam os carros de ficção ou as tentativas reais de voar, a lógica deles era sempre semelhante à de aviões, que precisam ter asas, propulsão a jato e ganhar velocidade para decolar. Mas o que veremos nas ruas e nos céus em cerca de uma década serão drones sobre rodas, que podem decolar e pousar verticalmente. Como helicópteros, só que mais versáteis e mais baratos.

 Um bom exemplo dos avanços práticos é o conceito Pop.Up Next, exibido há poucos dias pelo estúdio italiano Italdesign (atualmente controlado pelo Grupo VW) no Salão de Genebra. Trata-se de uma versão mais factível do modelo exibido no ano passado, no mesmo salão suíço, em parceria com a Audi e a Airbus. O Pop.Up Next é um sistema modular totalmente elétrico e de emissão zero, projetado para ajudar a resolver os congestionamentos em grandes áreas urbanas.


Vendo as fotos, percebe-se que é um grande drone sobre rodas, com um módulo de dois assentos. O módulo roda como um carro normal, mas pode ser acoplado a um conjunto de quatro hélices no teto, podendo decolar como um drone. Ou seja, não dá para rodar com o carro normalmente no chão quando as hélices estiverem acopladas. Não dá para simplesmente decolar no meio de um congestionamento. Mas dá para dirigir até um posto de acoplamento, voar até outro ponto para desacoplamento e sair rodando novamente, abreviando rotas congestionadas.

 Ao longo do ano, as equipes da Airbus trabalharam no refinamento do projeto aerodinâmico do módulo de ar e dutos do rotor para melhorar o desempenho e reduzir o consumo de energia em voos de cruzeiro. A empresa de aviação também apresentou um conceito para um sistema de acoplamento com funcionalidades de bloqueio e trava. A Airbus também trabalhou no design interno do Pop.Up Next para harmonizar a linguagem de estilo com o exterior, que é da Audi. Na parte técnica, os engenheiros da Airbus e da Italdesign trabalharam em várias frentes para melhorar a eficiência do sistema, trabalho em redução de peso, aerodinâmica, sistema de acoplamento de vários módulos e evolução dos sistemas eletrônicos de bordo.
Leis de trânsito aéreo

 Divulgação
Volocopter desenvolvido com ajuda da Mercedes, de cinco lugares, para ser uma espécie de táxi aéreo

 Obviamente, esses modelos demandarão uma regulamentação especial das autoridades de trânsito e aéreas. Onde e a que altura eles poderão voar com segurança? Em que locais terão autorização para decolar e pousar? Serão autônomos, ou terão motoristas-pilotos?

No segundo caso, como será a licença para pilotar? Vale lembrar que o uso indiscriminado de drones (os pequenos, de lazer, fotos e vídeos) já preocupa autoridades de tráfego aéreo, sobretudo nas proximidades de aeroportos.

 O fato é que, se bem regulamentados, esses carros-drones serão mais baratos e práticos que helicópteros para percorrer curtas e médias distâncias. E deverão ser viáveis como serviços de táxi solo/aéreo em cerca de uma década, na estimativa das montadoras. Dificilmente serão liberados para uso particular, como nos filmes supracitados ou no desenho dos “Jetsons”, que trazia uma visão dos anos 60 sobre a mobilidade do futuro.

 É cedo para falar em leis para esses táxis rodo-aéreos, mas muitas empresas apostam nisso, além do consórcio que trabalha no Pop.Up Next. A Porsche, também do Grupo VW, anunciou recentemente que vai entrar na corrida pelos módulos híbridos voadores. Na visão dela, essa modalidade de transporte será uma realidade no prazo de uma década.

 A rival Mercedes-Benz está entre as empresas que investem na alemã Volocopter, para ajudar a desenvolver um táxi elétrico com decolagem e aterrisagem vertical, de cinco lugares. Também na Alemanha, a startup Lilium recebeu um aporte milionário para financiar o projeto de um carro voador autônomo para cinco pessoas. Com o investimento de alguns milionários – entre eles os criadores do Skype e do Twitter, a startup captou US$ 90 milhões para tirar o conceito do papel. Nesse caso, o veículo já tem o conjunto para decolar na vertical e voar, sem necessidade de acoplamento.

 É a mesma aposta da chinesa Geely (sempre ela), que comprou recentemente o desenvolvedor de carros voadores norte-americano Terrafugia. Ela espera entregar seu primeiro carro voador ao mercado em 2019. A Geely é dona da Volvo, da Lotus, da London Taxis, da Lync&Co (empresa de carros por assinatura) e acaba de comprar quase 10% de participação na Daimler (dona da Mercedes, Smart e AMG).

Divulgação
Protótipo feito por Glenn Curtiss, um dos pioneiros da aviação, em 1917

Outra empresa que investe pesadamente nessa modalidade de transporte é a norte-americana Uber, que espera estrear seu serviço de carros voadores elétricos em Dallas (EUA) e Dubai (Emirados Árabes). Quando? Já em 2020. Um dos desafios é viabilização dos “vertiports”, pontos para carregamento das baterias, pousos e decolagens. As parceiras da Uber nessa empreitada são Pipistrel Aircraft, Mooney, Bell Helicopter, Aurora Flight Sciences e até a brasileira Embraer.

 Vale lembrar que o sonho do carro voador começou em 1917, com um protótipo feito por Glenn Curtiss, um dos pioneiros da aviação. Desde então, seguiram-se dezenas de tentativas fracassadas de se criar um híbrido de carro e avião. A era dos drones, da automação, da eletrificação e dos transportes por aplicativos parece ter criado o caldo cultural necessário para este velho sonho de tornar realidade na próxima década.
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