quinta-feira, 10 de maio de 2018

Carro voador



Grandes drones sobre rodas estão sendo testados como opção mais acessível que helicópteros. Saiba mais detalhes sobre o assunto



 Divulgação Audi Pop Up Next: protótipo seria uma boa opção entre os carros voadores para ajudar a resolver os congestionamentos


No filme “De volta para o futuro 2”, Marty McFly e Doctor Brown saem de 1985 e chegam a 2015 a bordo de um DeLorean DMC-12 voador. Em outro clássico dos anos 80, “Blade Runner”, Los Angeles de 2019 está congestionada de carros voadores, apesar de os personagens usarem “orelhões” para telefonar. E eles continuam voando na continuação lançada no ano passado, “Blade Runner 2049”.

Já estamos em 2018, e o único carro voando neste momento é o Tesla Roadster vermelho alçado ao espaço por um foguete. E ele nem poderia sair do chão sozinho. Apesar de tentativas que já duram 101 anos, carros voadores ainda são coisa de ficção científica. O que falta para eles se tornarem realidade? Em termos tecnológicos, falta pouco. Em termos de legislação, custos e logística, ainda há muito a percorrer.

 Sejam os carros de ficção ou as tentativas reais de voar, a lógica deles era sempre semelhante à de aviões, que precisam ter asas, propulsão a jato e ganhar velocidade para decolar. Mas o que veremos nas ruas e nos céus em cerca de uma década serão drones sobre rodas, que podem decolar e pousar verticalmente. Como helicópteros, só que mais versáteis e mais baratos.

 Um bom exemplo dos avanços práticos é o conceito Pop.Up Next, exibido há poucos dias pelo estúdio italiano Italdesign (atualmente controlado pelo Grupo VW) no Salão de Genebra. Trata-se de uma versão mais factível do modelo exibido no ano passado, no mesmo salão suíço, em parceria com a Audi e a Airbus. O Pop.Up Next é um sistema modular totalmente elétrico e de emissão zero, projetado para ajudar a resolver os congestionamentos em grandes áreas urbanas.


Vendo as fotos, percebe-se que é um grande drone sobre rodas, com um módulo de dois assentos. O módulo roda como um carro normal, mas pode ser acoplado a um conjunto de quatro hélices no teto, podendo decolar como um drone. Ou seja, não dá para rodar com o carro normalmente no chão quando as hélices estiverem acopladas. Não dá para simplesmente decolar no meio de um congestionamento. Mas dá para dirigir até um posto de acoplamento, voar até outro ponto para desacoplamento e sair rodando novamente, abreviando rotas congestionadas.

 Ao longo do ano, as equipes da Airbus trabalharam no refinamento do projeto aerodinâmico do módulo de ar e dutos do rotor para melhorar o desempenho e reduzir o consumo de energia em voos de cruzeiro. A empresa de aviação também apresentou um conceito para um sistema de acoplamento com funcionalidades de bloqueio e trava. A Airbus também trabalhou no design interno do Pop.Up Next para harmonizar a linguagem de estilo com o exterior, que é da Audi. Na parte técnica, os engenheiros da Airbus e da Italdesign trabalharam em várias frentes para melhorar a eficiência do sistema, trabalho em redução de peso, aerodinâmica, sistema de acoplamento de vários módulos e evolução dos sistemas eletrônicos de bordo.
Leis de trânsito aéreo

 Divulgação
Volocopter desenvolvido com ajuda da Mercedes, de cinco lugares, para ser uma espécie de táxi aéreo

 Obviamente, esses modelos demandarão uma regulamentação especial das autoridades de trânsito e aéreas. Onde e a que altura eles poderão voar com segurança? Em que locais terão autorização para decolar e pousar? Serão autônomos, ou terão motoristas-pilotos?

No segundo caso, como será a licença para pilotar? Vale lembrar que o uso indiscriminado de drones (os pequenos, de lazer, fotos e vídeos) já preocupa autoridades de tráfego aéreo, sobretudo nas proximidades de aeroportos.

 O fato é que, se bem regulamentados, esses carros-drones serão mais baratos e práticos que helicópteros para percorrer curtas e médias distâncias. E deverão ser viáveis como serviços de táxi solo/aéreo em cerca de uma década, na estimativa das montadoras. Dificilmente serão liberados para uso particular, como nos filmes supracitados ou no desenho dos “Jetsons”, que trazia uma visão dos anos 60 sobre a mobilidade do futuro.

 É cedo para falar em leis para esses táxis rodo-aéreos, mas muitas empresas apostam nisso, além do consórcio que trabalha no Pop.Up Next. A Porsche, também do Grupo VW, anunciou recentemente que vai entrar na corrida pelos módulos híbridos voadores. Na visão dela, essa modalidade de transporte será uma realidade no prazo de uma década.

 A rival Mercedes-Benz está entre as empresas que investem na alemã Volocopter, para ajudar a desenvolver um táxi elétrico com decolagem e aterrisagem vertical, de cinco lugares. Também na Alemanha, a startup Lilium recebeu um aporte milionário para financiar o projeto de um carro voador autônomo para cinco pessoas. Com o investimento de alguns milionários – entre eles os criadores do Skype e do Twitter, a startup captou US$ 90 milhões para tirar o conceito do papel. Nesse caso, o veículo já tem o conjunto para decolar na vertical e voar, sem necessidade de acoplamento.

 É a mesma aposta da chinesa Geely (sempre ela), que comprou recentemente o desenvolvedor de carros voadores norte-americano Terrafugia. Ela espera entregar seu primeiro carro voador ao mercado em 2019. A Geely é dona da Volvo, da Lotus, da London Taxis, da Lync&Co (empresa de carros por assinatura) e acaba de comprar quase 10% de participação na Daimler (dona da Mercedes, Smart e AMG).

Divulgação
Protótipo feito por Glenn Curtiss, um dos pioneiros da aviação, em 1917

Outra empresa que investe pesadamente nessa modalidade de transporte é a norte-americana Uber, que espera estrear seu serviço de carros voadores elétricos em Dallas (EUA) e Dubai (Emirados Árabes). Quando? Já em 2020. Um dos desafios é viabilização dos “vertiports”, pontos para carregamento das baterias, pousos e decolagens. As parceiras da Uber nessa empreitada são Pipistrel Aircraft, Mooney, Bell Helicopter, Aurora Flight Sciences e até a brasileira Embraer.

 Vale lembrar que o sonho do carro voador começou em 1917, com um protótipo feito por Glenn Curtiss, um dos pioneiros da aviação. Desde então, seguiram-se dezenas de tentativas fracassadas de se criar um híbrido de carro e avião. A era dos drones, da automação, da eletrificação e dos transportes por aplicativos parece ter criado o caldo cultural necessário para este velho sonho de tornar realidade na próxima década.
 Escreva para a coluna: autobuzz@igcorp.com.br ou acesse o site autobuzz.com.br

quarta-feira, 21 de março de 2018

Banco Central reduz juros básicos da economia para 6,5% ao ano

Pela 12ª vez seguida, o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu hoje (21) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 6,75% ao ano para 6,5% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros.
Com a redução de hoje, a Selic continua no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986. De outubro de 2012 a abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano e passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho de 2015. Em outubro de 2016, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,75% ao ano em fevereiro, o nível mais baixo até então.
Em comunicado, o Copom informou que a inflação evoluiu de forma melhor que o esperado nesse início de ano. De acordo com o BC, o comportamento da inflação permanece favorável, com diversos preços mais sensíveis aos juros e ao ciclo econômico em níveis baixos. O órgão sinalizou que deve continuar a reduzir os juros na próxima reunião, em 15 e 16 de maio, mas que deve interromper o ciclo de quedas depois disso.

Publicidade
 “Para a próxima reunião, o comitê vê, neste momento, como apropriada uma flexibilização monetária moderada adicional. O comitê julga que este estímulo adicional mitiga o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas”, destacou o texto. “Para reuniões além da próxima, salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação, o comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”, acrescentou o comunicado.
Apesar do corte de hoje, o Banco Central está afrouxando menos a política monetária. De abril a setembro, o Copom havia reduzido a Selic em 1 ponto percentual. O ritmo de corte caiu para 0,75 ponto em outubro, 0,5 ponto em dezembro e 0,25 ponto nas reuniões de fevereiro e de hoje.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula 2,84% nos 12 meses terminados em fevereiro, abaixo do piso da meta de inflação, que é de 3%. O IPCA de março só será divulgado no início de abril.
Até 2016, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para 2017 e 2018, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.
Inflação
No Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2018 em 4,2%. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 3,63%.
Do fim de 2016 ao fim de 2017, a inflação começou a diminuir por causa da recessão econômica, da queda do dólar e da supersafra de alimentos. Depois de uma pequena subida no fim do ano passado, por causa dos reajustes dos combustíveis, os índices voltaram a cair no início deste ano. O recuo foi motivado por novas quedas nos preços dos alimentos e dos serviços, setor ainda afetado pela demora na recuperação da economia.
Crédito mais barato
A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de 2,83% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2018. A estimativa está superior à do último Relatório de Inflação, divulgado em dezembro, no qual o BC projetava expansão da economia de 2,6% este ano.
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

Texto ampliado às 18h17 para acréscimo das informações do comunicado do Copom
Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil 
Edição: Wellton Máximo