quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Nova realidade de consumo



O mundo do automóvel precisa se livrar do machismo para evoluir e sobreviver na era pós-digital


Divulgação
Entre as mulheres mais importantes do setor automotivo, Mary Barra comanda a General Motors desde 2014

Eu sei, o tema é delicado, mas precisamos falar sobre o machismo em tudo que envolve o universo automotivo. Esta coluna sempre defendeu a necessidade de uma reinvenção das montadoras e das concessionárias, de todo o modelo de negócio na era pós-digital. Essa virada só será possível com a presença de mulheres mais forte nos cargos de comando de todas as áreas do mundo do automóvel. Mas, para isso, o modelo mental machista deste setor precisa mudar radicalmente.


Por que é tão importante ter mulheres com poder decisório nessa indústria? Ora, elas são praticamente a metade do público comprador de carro, e o porcentual seria ainda maior se a cultura machista não estivesse tão arraigada. Mas há um motivo ainda mais fundamental, como defendeu o presidente do Grupo Abril, Walter Longo, durante sua palestra de abertura no fórum Tendências da revista Quatro Rodas: mulheres são mais digitais, enquanto os homens são mais analógicos. Isso significa que elas possuem os atributos que o setor precisa para não sucumbir nessa nova economia que está em franca revolução.

Quais seriam esses atributos? Por razões antropológicas, mulheres são mais multifuncionais, colaborativas e intuitivas. E são menos centralizadoras, individualistas e hierarquizadas. Trabalham melhor em equipe, têm mais network e senso de comunidade, são mais antenadas que os homens. Tudo que a economia digital exige, as mulheres têm mais condições de oferecer num papel de liderança: foco na experiência, nos serviços, no atendimento, no encantamento, no engajamento. O momento do mercado é mais de emoção, intuição, sensação e colaboração, e menos de razão, previsibilidade, competição e precisão (especialidades dos homens desde os tempos das cavernas).

 Divulgação
Ana Theresa Borsari é a a principal responsável pelo processo de reestruturação da Peugeot no Brasil

Mulheres começaram a assumir postos-chave em algumas montadoras, mas ainda são exceção, e por isso chamam tanta atenção – e até atraem certo preconceito. Há quase quatro anos, Mary Barra comanda com sucesso a ressureição da GM após a empresa ter sido salva da falência pelo governo americano (ela é a CEO global do grupo). No Brasil, Ana Theresa Borsari luta há dois anos para recolocar nos trilhos a operação da Peugeot. Em outras áreas industriais, comerciais e governamentais, há muito mais mulheres em posições de liderança do que na indústria automobilística.

Pesquisas recentes feitas com mulheres que trabalham no setor automotivo (nos EUA pela Automotive News e no Brasil pela Automotive Business) apresentaram resultados muito parecidos: falta de mulheres em postos-chave, salários inferiores, falta de reconhecimento e oportunidade, tarefas menos relevantes e muito preconceito. A pesquisa americana (http://www.autonews.com/section/projectxx) foi ainda mais a fundo na questão e mostrou casos de assédio moral e sexual contra mulheres em empresas automotivas e concessionárias, além de uma cultura machista que repele mulheres e impede a ascensão das que insistem em trabalhar nessa indústria.

Evolução?
 Reprodução/Newspress
Salões do Automóvel recebem criticas quando usam belas garotas para chamar atenção do público nos estandes

O machismo no setor automotivo vai muito além de preconceitos contra as “Donas Marias” no trânsito, ou o surrado “vai pilotar fogão”. Vai além dos calendários com mulheres nuas em borracharias e das modelos em trajes sumários no Salão do Automóvel. Ele está na expectativa que o dono de um carrão tem de fazer sucesso com as mulheres na porta da balada. Nos caubóis a bordo de picaponas que brincam de laçar mulheres nas festas de peões. No dono de concessionária que só seleciona vendedoras se elas forem “bonitonas”.No mecânico que quer arrancar mais dinheiro da “madame que não entende nada de carro”. No taxista que faz gracejos (ou coisa pior) para a passageira. Nos jornalistas automotivos e assessores de imprensa que menosprezam (ou assediam) suas colegas do sexo oposto. No organizador de eventos que escolhe moças do “livro rosa” para atender diretores e clientes vips. No executivo de montadora que leva parceiros comerciais e jornalistas a prostíbulos após uma reunião de trabalho, às vezes sob olhares assustados de colegas mulheres.


Estou nesse setor há quase três décadas e já presenciei muitas situações humilhantes para mulheres. Sei que a condição melhorou muito, mas ainda é um universo refratário ao sexo feminino, num momento em que a presença delas é necessária por questões não só éticas e morais, mas para o próprio futuro do negócio. O sexismo não está no repertório das novas e futuras gerações de consumidores. 

O mundo evoluiu, e continua a evoluir em alta velocidade. Velocidade que, infelizmente, vem faltando nas mudanças do mundo do automóvel, salvo raras exceções. Não estou pregando que os homens, com seu jeito se ser, não são mais importantes para o setor. Longe disso. Mas a presença feminina é bem-vinda e fundamental, sobretudo em funções capazes de definir os rumos da indústria e do comércio automotivo.

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Carro seguro



Volvo XC60 Inscription: intermediário só no nome
Com preço competitivo, versão vai além da conhecida segurança da marca com bom acabamento e tecnologia
05/10/2017 - Texto e fotos: Thiago Moreno / Fonte: iCarros









Volvo XC60 passou um bom tempo com o mesmo visual em nosso mercado. Nesse período, o terreno dos SUVs médios premium recebeu adições como o BMW X3 e o recém-apresentado Audi Q5 de nova geração. A Volvo tomou seu tempo e mostrou que valeu a pena esperar. O iCarros avaliou a versão intermediária Inscription, de R$ 259.990, para mostrar essa evolução.

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Mas antes vale lembrar o que mudou na segunda geração do modelo. Primeiro temos o uso da plataforma SPA da Volvo, já vista por aqui no XC90. Com isso, o XC60 cresceu 9 cm no entre-eixos, 4 cm no comprimento e 11 cm na largura em comparação com a geração anterior. A altura foi a única medida que diminuiu, perdendo 5 cm.

Nas medidas, o modelo agora tem 4,69 m de comprimento, 1,90 m de largura, 1,66 m de altura e 2,86 m de entre-eixos. O porta-malas é capaz de abrigar até 505 litros. Segundo a Volvo, todas as configurações pesam até 1.926 kg. 

O SUV também traz o sistema de condução semi-autônoma que funciona a até 130 km/h, enquanto o assistente de ponto cego pode até mesmo trazer o carro de volta se perceber que a mudança de faixa vai causar um acidente. Tais sistemas aparecem a partir da configuração testada.

Visualmente, a nova plataforma deu a impressão de que o XC60 tem um capô mais longo e baixo que a versão anterior, mas a linha lateral é bem similar. A lanterna traseira vertical característica do XC60 ainda está lá, mas agora invade o capô.

O que o XC60 Inscription traz de série?
Sendo a versão intermediária do SUV, a configuração oferece ar-condicionado digital de duas zonas, teto solar panorâmico com abertura elétrica, central multimídia com espelhamento de smartphones via Android Auto e Apple CarPlay, bancos revestidos de couro com ajustes elétricos e memória para o motorista, seletor de modos de condução, assistente de partida em rampa, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, câmera de ré, start/stop e rodas de liga leve de 20 polegadas.

Também é a primeira configuração do modelo a contar com todos os equipamentos extras de segurança e comodidade, como painel de instrumentos digital com tela de 12,3 polegadas, aquecimento para os bancos dianteiros, porta-malas com abertura elétrica, chave presencial revestida de couro com memória, piloto automático adaptativo, assistente de direção semi-autônoma e alertas de ponto cego, tráfego cruzado e colisão traseira.

Sob o capô
Todas as configurações do novo XC60 utilizam o motor T5: 2.0 turbo a gasolina capaz de entregar 254 cv de potência e 35,7 kgfm já a partir das 1.500 rpm. O câmbio é sempre automático de oito velocidades e todas as configurações são dotadas de tração integral. Os dados da marca informam que o conjunto é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 6,6 segundos, com velocidade máxima de 220 km/h.

Revisões e PCD
Desde o lançamento, a Volvo trabalha com um regime de preços fixos para as revisões do XC60. Elas contemplam seis manutenções programadas até o momento, sendo que a primeira ocorre aos 10.000 km e a última que já tem um plano fechado é a de 60.000 km ou três anos de uso.
Quilometragem / Período / Valor
10.000 km / Não definido / R$ 949
20.000 km / 12 meses / R$ 1.849
30.000 km / Não definido / R$ 949
40.000 km / 24 meses / R$ 2.349
50.000 km / Não definido / R$ 949
60.000 km / 36 meses/ R$ 3.499

Já para os portadores de necessidades especiais, que comprariam um veículo pelo regime de PCD, a Volvo também oferece descontos. Assim, a versão Inscription pode sair por R$ 232.841 para as pessoas elegíveis a tais descontos.

Carro de patrão?
O XC60 chamou a atenção na garagem e atiçou a curiosidade de Ricardo Bonzo Filho, CEO do iCarros, que pode conhecer o SUV por uns dias. Casado e com dois filhos, ele atualmente dirige uma Dodge Journey R/T e um Mercedes-Benz C180 Avantgarde. E o que ele achou?
Para o executivo, “o carro vai muito bem na cidade, filtra bem os buracos e é muito confortável”. Rodando no trânsito, não foi só o conforto que chamou a atenção de Bonzo: “durante meu tempo com o carro, o computador de bordo marcou um consumo de 7,7 km/l com gasolina. Pelo tamanho do carro está muito bom”.

Outros elementos da cabine também foram notados pelo executivo devido à atenção aos detalhes que a Volvo teve com o XC60. O primeiro deles é o espelho sem borda, que deixa a peça mais elegante. O fato de haver um manual do proprietário em versão digital na memória da central multimídia também foi apontado por Ricardo como algo positivo: “às vezes é difícil encontrar algumas informações no manual físico, o digital facilita a busca”.

Outro ponto positivo destacado por Ricardo foi a performance do conjunto motriz: “O XC60 tem menos força que o meu Journey (3.6 V6 de 280 cv), mas o torque do Volvo é bem mais perceptível, o carro deslancha melhor”.

De acordo com Bonzo, apesar do porte avantajado do SUV, a agilidade do motor e a leveza da direção fazem o carro parecer bem menor dirigindo. Outro ponto em que o XC60 supera o Dodge do executivo é o vão livre do solo, pois “o Journey deixa o para-choque em qualquer valeta, já o Volvo passa longe”.

Mas nem tudo são flores, pois, para o executivo, faltou um ronco mais encorpado. “Isso é algo que os carros da BMW têm, um som de motor que te instiga”. E, ao usar o modo ECO de condução, o motor desliga momentos antes de parar completamente, “o que atrapalha no anda e para do trânsito”, completa Bonzo.

Como anda
Muitas das impressões de Bonzo podem ser confirmadas rapidamente. A começar pelo motor, para o bem ou para o mal. Enquanto ele empurra as quase duas toneladas do SUV sem a menor impressão de esforço, ele também não se "comunica" com o motorista. Levado até as faixas mais altas de rotação, esse motor produz um ruído baixo e um tanto áspero. Nada que empolgue.

Vale notar também que, em situações em que se exija retomadas rápidas, há uma latência entre o câmbio efetuar a redução e a turbina do carro encher até se obter o máximo de desempenho. Usar o modo “Dynamic” de condução ameniza essa situação.

No entanto, no uso diário, o XC60 mostra que o seu intuito é entregar conforto mesmo. Isolamento de cabine exemplar, acabamento de bom gosto (o que implica em bons materiais) e a dominante central multimídia são exemplos desse aconchego que o carro oferece. Isso sem contar a chave que combina com o revestimento dos bancos.

É fácil perder a noção do tempo dentro do Volvo, pois o motorista não se cansa atrás do volante. E mesmo se estiver cansado, pode recorrer aos sistemas semi-autônomos para voltar sua atenção ao trânsito. Uma pena que aqui não é a Suécia e a falta de sinalização das ruas confunde facilmente os radares e leitores de faixa do carro. Melhor deixar esse artifício para vias expressas e estradas.

Outro item que reforça essa impressão de conforto é a suspensão. Ela tem uma daquelas calibrações que te fazem questionar se a rua de sua casa foi recentemente recapeada. Mas ela tem seus limites. Em ondulações sequenciais, o carro começa a bater mais seco. Se você pegar uma ondulação no meio da curva, vai perceber as duas toneladas do SUV indo de um lado para o outro, mas não é o suficiente nem para começar a ouvir os pneus assobiando.

Aliás, fica o elogio para a direção do carro e a entrega de torque. Como são rápidas, o XC60 parece “encolher” em volta do motorista. Eu inclusive já dirigi SUVs compactos de entrada que eram mais difíceis de navegar no trânsito urbano que o Volvo.

Conclusões
Ao contrário de outros modelos dessa categoria, o Volvo XC60 se preocupa mais com o bem estar dos ocupantes do que com a promessa de esportividade ou em ser a última palavra de tecnologias de entretenimento. É um carro para viajar horas com a família sem se desgastar. E não tem nada mais reconfortante do que rodar com um carro que você sabe que está cuidando da sua segurança. Isso e a madeira no painel, ela deixa a cabine aconchegante também.

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